sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

CAFÉ COM LETRAS - INVERNO NO SERTÃO / CNNP, 2016

Janiel Martins, RN/Brasil
INVERNO NO SERTÃO
(Janiel Martins, RN / Brasil)

O sertanejo tem em ânsia a pegada do Inverno
O início da chuva
Sempre não é muita mas é do agrado
É lidado com o pouco ou com o muito
É grato com o que vem do céu e da terra
É grato de si em labor
É sagrado na honra o sertanejo.

A chuva faz festa grande
Passou o ano de espera
Os olhos estão arregalados
E com brilho de posse e de raro
Os passos pisam calmos no chão molhado
Mas são muitos.

Bacia
Pote
Tanque
Balde
Cisterna
Cacimbão
Estavam mendigando tem tempo
Por áuga farta
Aliviante de dor.

Áuga para banho
Era de cacimbão
De áuga salobra de Chico Matias
E para lavar as roupa
Era no cacimbão de Zé Zaquias
A duas légua de gente.

E a áuga de beber
E áuga de cozinhá
Era da cacimba de áuga doce
Do sítio Enxú a três légua.

Olhe lá quando o peste do guaxininho
Mijava na cacimba
Ficava feio de brabo
O mijo fede até de mais das conta
Mas … fazer o quê?
Dar fervura?

Vichi Maria pense num troce pra feder
O cheiro entranhava mais ainda
Oh catinga, oh catinga das peste …
E não tinha vizinho pra salvar
Todos bebiam da mesma cacimba.

Áuga de guaxininho
Oh peste ruim
Mininu  astucioso ia na casa di vizinho
Mi dê um copo di áuga
O fedor chegava antes do gole
Do primeirinho gole
Viu só, Vichi …
Mijo mêmo de guaxininho
Mais pior … plateia grande zombando
Besteira
Bobage.

Bateu o inverno
Sumiu mendigo de áuga
A música é até ao vivo
Aparecem sapo até da China
Numa cantoria bonita
E é a noite todinha, sem tréguas
Bonito que só
É farto
É vida.

Mininus são os primeiros a levantá
Vão bulir em tudo
No chão molhado, nos sapos, na áuga…
E o melhor de tudo
Sentir o cheiro da terra molhada
Som di fartura para o Sertão.

O pote vai tá cheinho de áuga doce
A muié vai lavar as roupas com áuga e muita
E o melhor de tudo bem no redor de casa
E o roçado
Quem colocar o maior
E colher mais
É o mais trabalhador
A disputa é grande
Não vale contar os filhos.




BRASIL, CNNP - Concurso Nacional Novos Poetas ...


Concurso que promove a publicação e divulgação de poemas criados por poetas menos divulgados, pelo que, por isso, lhe é devido um justo valor.

Contudo, não está alheia, enquanto editora e divulgadora cultural, a finalidades de índole monetária, o que lhe confere, em consequência, uma aderência ao primado de firma com fins lucrativos.

Certo é, porém, que a valorização de todo o acto criativo, no caso o género literário de poesia, está e deverá estar nas prioridades sócio-culturais de um povo que sempre respirou o melhor que se produz, universalmente, na esfera cultural.

Valorização do acto de poetisar, de escrever pensantes e livres conteúdos, de ser e estar junto da riqueza do ente poesia ... é um desígnio que se intenta perpetuar, ainda que, de menos-valia, lhe estejam adjacentes os frequentes (e indesejados) interesses económicos.

Em prol das motivações, da criação e do desenvolvimento, citar Augusto Cury, SP/Brasil (em: "Filhos Brilhantes, Alunos Fascinantes"), não será em vão ...

Augusto Cury, SP/Brasil
"A juventude era bombardeada diariamente com publicidade para consumir produtos e não ideias. (...) O sistema "gritava", na publicidade que passava na TV e nos demais setores dos média, que os jovens deviam consumir telemóveis, ténis, computadores, iPods, mas não dizia, nem sequer timidamente, que eles deviam expandir a sua consciência crítica e a arte de pensar, para serem livres dentro de si mesmos.
O veneno do consumismo criado pelos adultos era tão poderoso que os jovens não o contestavam. Pelo contrário, queriam bebê-lo em doses cada vez maiores. Desejando apenas o prazer imediato, os jovens sufocavam os seus projetos de vida."


Fonte das imagens: Janiel Martins e internet.