domingo, 12 de abril de 2026

CAFÉ COM LETRAS - MOCINHO DOS SONHOS (I)

MOCINHO DOS SONHOS (I)
(Janiel Martins, RN/Brasil)

Sereno do Sertão ... no Sertão do Nordeste do Brasil, Daniel foi parido com 52 centímetros e 3,550 quilogramas, por expressa vontade de quem viveu os desejos, sintonias e prazeres da sua concepção, os abastecidos e dadores da semente que nele desabrochou.
Parto natural, com recusa das citadinas mordomias e recursos hospitalares, homenageando todas as mulheres e homens que parem nas suas próprias mãos.
Daniel cresceu a absorver para ele o que era, naturalmente, dele. Absorveu o Sertão, num procedimento de imenso encanto e valorização, impregnando-se de essência do ter e ser sertanejo. 
Sertão que se lhe tatuou na origem da alma, nas vontades, nas desamarras e liberdades do tesão e da vida.
Seria, infalivelmente, o pujante sexo do Sertão transportado nele.
A força do Sertão feita Homem.
A força do tesão feita Daniel.

O avô, fazendeiro sertanejo, de cristalina alma de homem de igual para igual, de justo para justo, e repelente dos esquartejantes princípios de exploração e desrespeito. Homem da igualdade, do trabalho e da liberdade, honrava o chão que pisava, na cobertura difusora da nobreza da coerência da justa versão do direito.
Pai de José, homem construído e formado, da base ao topo, com a mestria exclusiva do nobre e belo Sertão.
Desígnios transmitidos em comunhão comunitária, pela exigência de quem respira o ar puro da honestidade.

domingo, 22 de março de 2026

CAFÉ COM LETRAS - O MACACO ALBINO


O MACACO ALBINO
(Janiel Martins, RN/Brasil)

Chegou ela, Ruth Pianista toda lampeira com seu guarda-chuva.
Então meu macaco alpino preferido!
Estais linda Ruth, estais bem erecta.
E tu como andas?
Pareço um porco. Só como, durmo, trabalho e encarcerado num monte de esterco no meu ambiente de trabalho. 
Tentam assediar a minha vida, mas eu não deixo.

É bonita a vida.
Acho tão pobre esta palavra bonita para definir a vida.
A vida é extraordinária e muito simplesmente cheia de complexidade. Alguns acham assim.
 
Por pouco não me derreto e torno-me universo.

Acho tão primitivo sepultar ou cremar um corpo. 
Quero ser lançado no vácuo, para que os ácidos continuem a dar choques. 


domingo, 8 de março de 2026

CAFÉ COM LETRAS - ATÉ ONDE PODEMOS SONHAR



ATÉ ONDE PODEMOS SONHAR
(Janiel Martins, RN/Brasil)

É injusto não sair da terra, nem num sonho.
Talvez onde não retornaremos?
É um encanto.
valerá a pena desencantar?
Seria injusto os sonhos morreram?
Os sonhos permanecerão vivos?
Seria injusto um morto acordar.
Cortaria o seu sonho.

A vida é pobre.
O pensamento é miserável.
Aqui na terra sempre queremos mais.
A morte é tão rica.
É um mistério que não fala.
Talvez o infinito do céu seja o nosso caminho!
Espero não cair, numa estrela.

Os planetas são homens.
De espírito corajoso.
E um dia será habitado.
As estrelas são atumultuados de espíritos medrosos.
As luas são espíritos invejosos.
Os meteoros são espíritos ruins.

O mundo é nada mais que outros mundos,
É uma freiada no pensamento que enriquece a vida.
Os sonhos ficarão para depois da morte.

domingo, 1 de março de 2026

CAFÉ COM LETRAS - O LADO TORTO

 

O LADO TORTO
(Janiel Martins, RN/Brasil)

Minhoquinha se endireita!
Nada Minhoquinha, estou vivendo a linha reta, a linha que me leva a vida.
Temos que viver o lado torto, Minhoquinha. 
É o lado que dá o sentimento novo, é o lado que luta contra o ir mais um pouco.
Se nós ficarmos parados, o tempo nos trocerar, temos que nos dar um nor de resistência.
É mesmo, Minhoquinha hoje eu acordei com a boca torta, ai eu pensei se eu ficar deitado a boca vai entorta mas ainda, eu vou e me levantar.
Minhoquinha tu fizeste bem, Minhoquinha hoje eu vi uma flor tão bonita, mas tão bonita que eu perguntei para ela, porque tu sois tão bonita.
E ela respondeu o que, Minhoquinha?
Não sei, mas eu acho que ela veio mostrar a beleza para o tempo.
É mesmo Minhoquinha, esses dias eu estava olhando pro céu e pensei a terra é a minha mãe o sol o meu pai, a lua minha irmã as estrelas o primos e o espaço é o quê mesmo, meu Minhoquinha?
É o pensamento que pensa, sem saber, que está pensado.


domingo, 22 de fevereiro de 2026

CAFÉ COM LETRAS - POF, POF, POF


POF, POF, POF
(Janiel Martins, RN/Brasil)

Ti ti ti ti
Minha mãe, porque tu não me chamaste para nós colocamos o milho das galinhas?
Tu estavas a dormir tão bem.
Amanhã tu me chamas, por favor.
Chamo-te se tu falares certo.
Está bem, minha mãe.
Mãe posso ir para escola sozinho?
Não, tu és muito pequeno.
Eu vou minha mãe, eu não tenho medo.
Está bem, vamos tomar café e trocar de roupa, quando estiver faltando vinte minutos tu vais.
Posso ir agora!
Não são horas ainda.
Parei, pensei vou fugir, fugir.
Lá de longe ouvia- se uns gritos.
Cuidado peste, com os cachorros e o bicho papão.

Respirei e sorri por dentro e suspirei de alívio e um sorriso que senti no rosto e vi o sorriso no rosto, sendo que os olhos não enxergam o próprio rosto.

Mergulhei no silêncio do Sertão, ouviam-se os próprios ouvidos a estrelar, levando informações para o cérebro.
Gosto deste silêncio que trás este estrelarzinho.

Sentava-me numa cadeira ao fundo no lado esquerdo, bloqueava-me, só escutava o estrelar dos ouvidos, até que me divertia naquele ambiente escolar.

Gritava antes de chegar a casa mãe, mãe.
O que foi, menino?
Nada não, minha mãe

(Nem eu sabia, mas queria proteção)

Pareces um doido a gritar.
Que doido, minha mãe?
És tu, um tonto que anda a gritar.

(Hoje eu sentaria e conversaria, agachado, para mostrar que não existia diferença. A mãe estará sempre contigo para te proteger).

Tiras a roupa que amanhã vestes a mesma.

(Ajudas a mãe a guardar e manter organizada)

Está ai.
Colocaste no chão?

(Corri, com um alívio da tensão da escola e um sorriso sem som, parecendo que o corpo e o chão e silêncio era um corpo só, deslizava-me).

Tu levaste um caderno e trouxeste um monte de livro.
Foi a professora que deu. É pra quê isto, minha mãe?
É para estudar.
Ela falou que não podia rasgar.
Vou guardar se não os outros rasgam.

(Alguns tinham algumas imagens que o fascinavam, as letras não o chamavam tanta atenção)

Em ato de brutalidade, aqui e acolá, rasgavam-se algumas páginas.

Minha mãe, meu irmão rasgou o meu livro!
Tem tantas páginas não vai fazer falta.
É minha mãe!
É.
Estou com medo?
Não tenhas, ninguém vai ver, não chores.

Cadê o meu pai?
Está trabalhando.
Ele vai demorar a vir.
De hoje a oito dias.

(Não conhecia a palavra "saudades", a saudade não é uma palavra, antes da palavra vem o sentimento).

Braga/Portugal - 2026

A serpente sai para comer e volta a dormir e a pensar. 
Não sei muito, deve ser mais ou menos assim.
Olha na Internet.
Não precisa Paulo, quero escutar os ouvidos a mandar informações para o cérebro, gosto tanto de escutar este estrelar, mas temos de estar num sítio bem silencioso.
Acho que vou ser uma cobra e mergulhar no mundo dela. Não vou ser eu mesmo, mas no mundo dela. Uauu pulei no vácuo do universo só a escutar o estrelar dos meus ouvidos.
O corpo do homem é lindo.
Os frustrados não sabem usufruir da vida.



domingo, 18 de janeiro de 2026

CAFÉ COM LETRAS - O ESCURO, O GELO, O FOGO E EU


O ESCURO, O GELO, O FOGO E EU
(Janiel Martins, RN/Brasil)

No princípio era a escuridão
De tanto frio formou-se gelo
O gelo quebrou
E faíscas de fogo formou
As cinzas nasceram
E por aqui estou...



domingo, 7 de dezembro de 2025

CAFÉ COM LETRAS - OLHO DE SOL



OLHO DE SOL
(Janiel Martins, RN/Brasil)


Acorda doida!

Mergulhei o pensamento e rodou, rodou de frente e comecei a alimentar-me do sol.

Estais a comer fogo?

Não, é um óleo que sol libera e nós precisamos dele. Só que é tão delicado que mal senti o sabor, o cérebro organizou para mim e pensei ser um óleo bem delicado com um sabor leve a enxofre, com um toque, mais leve ainda, a fumaça. É tão bom comer sol, não caímos. Vamos até a um lugar onde escutamos o som do cérebro a explodir, explodir não, a estrelar, gosto desta paz.

Nem pareces Brasileira Doida, até pareces uma pessoa nórdica.

Realmente o silêncio da Europa é bom, traz-nos conforto e proteção.

O barulho é sinónimo da falta do eu, parecendo uns loucos substituindo o eu por uma coluna de som no último grau do volume. É tão pobre esta cena.

Gosto tanto das cobras indo para o seu canto depois de se alimentarem. As formigas têm um requinte de organização tao perfeito que me alucina, levando-me até um formigueiro.

Estais a falar a sério, doida, ou é o sol de que tu te alimentas que faz isto?

Pensa antes algo bonito. Será que é o acúmulo deste óleo do sol que nos faz pensar?


domingo, 16 de novembro de 2025

CAFÉ COM LETRAS - DOIDO



DOIDO
(Janiel Martins, R/Brasil)

me faço de doido para não espremer o pensamento
não quero saber onde estou

gosto do vento
um dia perguntarei de onde ele vem
tenho medo de perguntar
e saber a resposta e a paixão acabar

e a morte no colo

que dor...
saber que estamos esperando

pela morte


domingo, 26 de outubro de 2025

CAFÉ COM LETRAS - A FLOR E A FOLHA (II)

 


A FLOR E A FOLHA (II)
(Janiel Martins, RN/Brasil)

Flor o que tu pensa?
Queria dormir, dormir e nunca mais acordar para esse negócio parar de me perturbar. 
É sempre a mesma coisa, vivo vendo coisas que eu não queria ver.

E tu Folha oque pensa?
Eu queria pular de mim mesmo, para não ver coisas que eu não queria ver, esse monstro todos os dias me acorda de um friozinho que congela o meu corpo. Flor outro dia esse monstro colocou um bocado de monstros para correr atrás de mim, eu fui parar num lugar muito bonito, onde eu vi, plantas, árvores e uns negócios que iam para onde quisesse, será que tu estava lá?

Bem capaz folha, eu não me conheço, só penso, penso.
Também, queria tanto me reconhecer, mas não, aqui estou pensando, e sendo acordada por um monstro que coloca outros monstros para correr atrás de mim.

Ainda bem que esses caminhos nos levam a lugares que nos protege. Outro dia conheci Paulo, perguntei quem era ele, ele falou que era humano e que estava na terra há 60 anos, aproveitei perguntei se ele já me conhecia, ele falou claro que sim, você é uma planta que os humanos tanto  usam, desde para aquecer e fazer móveis e casas, e que nós éramos muito importante para a vida dele e de todo os seres vivos na terra. Eu perguntei como eu era, ele falou que eu era muito bonita e que tinha uma cor verde bem escuro, que era para poder dormir mais, para a luz do sol não nos incomodar muito.
E o que é o sol?
É monstro que nos acorda todos os dias? 
É!

É sim ele é uma bola de fogo que todos os dias a terra dá uma volta e nós pensamos que é ele que vem nos ver, mais não é. A terra dá um giro de trezentos e sessenta graus, e é por isso que nós nascemos, por isso temos que os suporta porque ele não é um monstro ruim não. Só é porque nos acorda, e eu perguntei ao Paulo como era tu Flor.
Foi folha? E como sou eu?
Ele disse que não sabia se era tu, porque tem muito tipo e cores de flor, ele disse que as flores são as plantas mas delicadas, as flores são os tecidos dos que partiram...


domingo, 19 de outubro de 2025

CAFÉ COM LETRAS - A FLOR E A FOLHA (I)


A FLOR E A FOLHA
(Janiel Martins, RN/Brasil)

Flor, tu vês?
Não, só imagino.
E tu, folha?
Também não, mais eu queria ver.
Ver comigo mesmo, não com a minha imaginação.

Eu sinto a quenturinha de um negócio, que me acorda todo santo dia.
É, flor, quando eu menos espero eu acordo com esse negócio, espremendo a mim, eu tenho tanto da raiva desse negócio, se eu pudesse o matava.
Pois é flor, quando estamos no melhor sono ele nos acorda, e o pior de tudo que quase todos os dias ele aparece.
Eu acho tão bom quando durmo muito.
Eu também folha.
Mas esse negócio é atrevido, sempre nos acorda, e ele vai e vem, quase todos os dias.
Ele deve ser muito grande.
Ainda bem que é só um, eu acho.
Flor, tem uma hora que ele chega tão perto de mim que eu penso que vou enlouquecer, fico pensado tanta das coisas que tu nem imagina!
Eu também Folha, eu todos os dias me pergunto como fugir desse negócio, até que melhorou um pouco pois sou uma flor com bastante fios e tu Folha como és?
Sou um corpo só, com um monte de veia cheia da água.

Flor o que tu pensa?
Queria dormir, dormir e nunca mais acordar para esse negocio parar de me pertubar, é sempre a mesma coisa, vivo vendo coisas que eu não queria ver.
E tu Folha oque pensa?
Eu queria pular de mim mesmo, para não ver coisas que eu não queria ver, esse mostro todos os dias me acorda de um friozinho que congela o meu corpo, Flor outro dia esse monstro colocou um bucado de monstros para correr atrás de mim, eu fui parar num lugar muito bonito, onde eu vi, plantas, arvores e ums negocios que iam para onde quisese, será que tu estava la?
Bem capaz folha, eu não me conheço, só penso, penso.
Também, queria tanto me reconhecer, mais não, aqui estou pensado, e sendo acordado por um monstro que coloca outros monstros para correr atrés de mim.
Ainda bem que esses caminhos nos leva a lugares que nos protege, outro dia conhecir Paulo, perguntei quem era ele, ele falou que era humano e que estava na terra há 60 anos, aproveitei perguntei se ele já me conhecia, ele falou claro que sim, você é uma planta que os humanos tantos os usam desde para aquecer e fazer moveis e casas, e que nós eramos muito importante para a vida dele e de todo os seres vivos na terra, eu perguntei e como eu era, ele falou que eu era muito bonita e que tinha uma cor verde bem escuro, que era para poder dormir mais, para a luz do sol não nos encomodar muito
E oque é o sol?
É monstro que nos acorda todos os dias.
É!
É sim ele é uma bola de folgo que todos os dias a terra dar uma volta e nós pensa que é ele que vem nos ver, mais não é a terra que dar um giro de trezento e secenta graus, e é por isso que nós nascemos, por isso temos que os suporta porque ele não é um mostrom ruim não, só é porque nos acorda, e eu perguntei ao Paulo como era tu Flor.
Foi folha e como sou eu?
Ele disse que não sabia se era tu, porque tem muito tipo e cores de flor, ele disse que as flores são as plantas mas delicadas, as flores são os tecidos dos que partiram...