PREGUIÇA
(Janiel Martins, RN/Brasil)
Tu arruma cada uma José.
Deixa eu falar.
Nós pensamos por causa da comida e quando comemos adormecemos feito porcos.
A cobra de bucho cheio perdeu o sono, pensou em ter sua defesa própria. Deus lhe deu veneno.
Ao pássaro Deus deu as asas.
A galinha só pensava em comer e criou asas mas de tão pesada não voou.
A tartaruga de tanta paciência quase virou uma pedra.
O danado do homem devia só comer as sobras das sobras, mas pensou tanta besteira que inventou o trabalho.
Umas das consequências foi termos sido escravizados.
Uns trabalham no pesado para dar leveza a outros.
Arrumamos foi a desigualdade.
O certo seria: eu trabalho, tu trabalhas, nós trabalhamos e temos tudo por igual.
Se fossemos civilizados todos seriam iguais.
Mas não, continua a ser fomentada a desigualdade e as estratégias para que a corrupção impere.
Mas não existem classes socias, José.
Como assim dona Maria?
Todos somos iguais, José perante a lei do homem.
Quantos aqui já morreram sem ter o direito a uma consulta digna? E, quando consegue, o médico diz que vai precisar de um exame que custa dois salários mínimos. Isto não é uma consulta é a injeção letal.
Calma José!
O médico falou a verdade... mas eu nem sei contar dois salários mínimos.
Imagina eu ter isso.

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