domingo, 7 de junho de 2026

CAFÉ COM LETRAS - PREGUIÇA


PREGUIÇA
(Janiel Martins, RN/Brasil)

A preguiça é mãe do sono.
Tu arruma cada uma José.
Deixa eu falar.
Nós pensamos por causa da comida e quando comemos adormecemos feito porcos.

A cobra de bucho cheio perdeu o sono, pensou em ter sua defesa própria. Deus lhe deu veneno.
Ao pássaro Deus deu as asas.
A galinha só pensava em comer e criou asas mas de tão pesada não voou.
A tartaruga de tanta paciência quase virou uma pedra.

O danado do homem devia só comer as sobras das sobras, mas pensou tanta besteira que inventou o trabalho.
Umas das consequências foi termos sido escravizados.
Uns trabalham no pesado para dar leveza a outros.
Arrumamos foi a desigualdade.
O certo seria: eu trabalho, tu trabalhas, nós trabalhamos e temos tudo por igual. 

Se fossemos civilizados todos seriam iguais. 
Mas não, continua a ser fomentada a desigualdade e as estratégias para que a corrupção impere. 

Mas não existem classes socias, José.
Como assim dona Maria?
Todos somos iguais, José perante a lei do homem.
Quantos aqui já morreram sem ter o direito a uma consulta digna? E, quando consegue, o médico diz que vai precisar de um exame que custa dois salários mínimos. Isto não é uma consulta é a injeção letal. 

Calma José!
O médico falou a verdade... mas eu nem sei contar dois salários mínimos.
Imagina eu ter isso.