quarta-feira, 2 de março de 2016

CAFÉ COM LETRAS - JÚLIA RAMALHO

Júlia Ramalho

(*)
Nascida em 03 de Maio de 1946

Freguesia de São Martinho de Galegos 
                                                      
Barcelos

Portugal



.......  /// \\\  .......                                                                                               .......  /// \\\  .......

Artesã ceramista de representação portuguesa e internacional, alude-se pelo consolidado tom de cristalino mel, que está já brasonado nos seus trabalhos.

Portadora e merecedora de variadíssimos prémios, alusões, reportagens, referências, citações, enobrece o seu país, com o orgulho de quem nunca se desenraizou do seu material de virtuosa génese: "com o barro nasci, com o barro hei-de morrer" (citação de Júlia Ramalho).

A infinita imaginação, coaduna-se com a finita materialização de figuras mas de infinitas formas de se sentir.
Tanto no figurado como no imaginário, Júlia Ramalho preenche-se com a novidade da criação, exaltando-se, sobretudo, nas mitológicas criações de sua autoria e que contradizem com a exatidão da objetividade da física.

"Nos conteúdos da sua imaginação, encontram-se as vias de concretização para a matéria irreal, imaginária e prenhe dos medos e assombrações que povoam a colectividade das mentes.
São os medos, as fantasias, os fantasmas, os demónios, os monstros que com ela ganham forma.
Ganhar forma é ganhar identidade e, neste sentido, Júlia Ramalho, concretiza a possibilidade da existência dos medos, sem os manter na inexistência. 
Quando há matéria para o medo e para a irrealidade, há alvo para o confronto, deixando-os suspensos pela ausência da falta da matéria.
Neste sentido, Júlia Ramalho é uma preciosa materializadora de instrumentos catárticos, na prol da elaboração e da resolução dos internalizados medos.
São os fantasmas, os monstros, os receios, as medonhas armadilhas mentais que se criam através do conto, da lenda, da história que intentam em manter o medo, a obediência e o desconhecimento. São os inconscientes artefatos, comuns do folclore, são os pregões balizadores de padrões de conduta, trazidos à exposição da luz, para poderem ser julgados (elaborados). 
Castiga-se o medo através da sua realização em matéria. 
Materializando-se o medo, este perde o seu território, dando lugar ao ajuste impacto da desnecessária existência de angústia ou de medo. 
Angústia e ansiedade, quando não há objeto; e medo quando a imagem do objeto está, física ou mentalmente, presente.
O mecanismo interpretativo é o mesmo do da segurança que um crente sente, ao tocar numa imagem da sua devoção, sobretudo em momentos de sentido desespero." (Paulo Passos).

Júlia Ramalho, um nome que me encaminhou para o mundo do fantástico, onde o material explicativo e analítico, se me depararam frontalmente.

Apreciei, admirei, pasmei, mas, sobretudo, louvei.
Ainda não tive a nobreza de viver o encontro com Júlia Ramalho, mas, estou certo, não será para longe, essa minha entusiasmante e ansiada visita.

As peças da autora em questão, que aqui debito em fotografia, são parte de uma coleção particular do notável trabalho de Júlia Ramalho, com quem debati os elementos que enformam esta matéria.














Como brasileiro e como brasileiro nordestino, onde o mito canta de galo (eventualmente como o de Barcelos) e a lenda dita , ... , como poderia ter ficado alheio à grandiosidade deste território do inconsciente e do imaginário, que aflorou à crista do dia pelas mãos de Júlia Ramalho? 


Não deixarei de a aludir, Júlia Ramalho! 
Nobre mulher do figurado e nobre poetisa do imaginário e do inconsciente.


Cordiais saudações.



Edição: Janiel Martins
(*) Imagem trabalhada. Fotografada do livro: "Júlia Ramalho - 50 anos de barro".







Nenhum comentário:

Postar um comentário